Março5
Tudo o que eu devia saber aprendi
no Jardim de Infância.”

Grande parte das coisas que preciso de saber sobre a vida,
sobre o que fazer e como ser, aprendi no jardim de infância…
A sabedoria, afinal, não estava no topo de uma montanha chamada Universidade
mas sim na caixa de areia da minha escola.
Eis as coisas que aprendi:
a compartilhar… a não fazer batota…
a não magoar os outros… a arrumar o que desarrumei… e a limpar o que sujei.
A não tirar o que não me pertence, a pedir desculpa quando magoo alguém.
A lavar as mãos antes de comer. A puxar o autoclismo.
Aprendi que o leite faz bem á saúde.
Aprendi a aprender, a pensar e também que
desenhar, pintar, cantar e dançar era bom…
a dormir a sesta… a ter cuidado com o trânsito … a dar a mão, a ser solidário.
Vi a semente a crescer no copo de plástico;
as raízes descem e a planta, sobe embora não saiba porquê, gosta-se.
Os peixes dourados, os hamsters, os ratinhos brancos…
(e mesmo a planta no copo de plástico) morrem. Nós também.
E lembro-me dos primeiros livros, da primeira palavra que aprendi: olha!
É isso que tenho feito sempre.
Se todos – em todo o mundo – tivessem tomado
um copo de leite às quatro da tarde,
depois de terem dormido a sesta,
o mundo estaria bem melhor.
Ou se houvesse uma política de base no nosso país – e em todos os outros – de
devolver o que não é nosso e de limpar o que sujamos.
E também sei que é verdade, que ainda é verdade,
que no mundo o melhor é dar as mãos…
e ficarmos juntos.